Dizer
que a Igreja está em crise é para alguns uma platitude e para outros um
escândalo. Mas a crise faz parte do dia a dia da Igreja desde que Nosso
Senhor advertiu o Apóstolo Pedro:
“Simão,
Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como
trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça.
Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22,31-32).
Como
formador em seminários há mais de dez anos, estou convencido de que os
seminaristas e jovens sacerdotes têm, como Simão Pedro, uma missão
importante no “confirmar os irmãos”. Mas Nosso Senhor advertia que
isto só seria possível após a “conversão”. Infelizmente muitos de
nossos seminários e institutos de filosofia e teologia não têm contribuído
para esta conversão.
Somos
uma geração que se vangloria do próprio pacifismo, mas trata-se, no
mais das vezes, de um nome mais gentil para a velha covardia.
O
primeiro trabalho de um médico é conscientizar o doente de que está
enfermo. Nesta hora, palavras gentis em nada irão ajudar o paciente. A
doença precisar ser chamada pelo seu nome, o mais realista e sincero. Mas
para a geração do politicamente correto isto parece um crime.
A
Igreja Católica no Brasil sofre de AIDS
espiritual.
Quando
um corpo está com AIDS é porque não sabe distinguir entre o vírus
inimigo e o alimento saudável. O organismo aidético sofre de correição
política. Já não ousa dar ao vírus o seu nome próprio, por temor de
ofender-lhe os nobres sentimentos!
Assim
também a AIDS espiritual. Já não temos coragem de chamar a heresia, a
apostasia, a perversão, a covardia e tantas outras doenças espirituais
com os seus nomes horrendos. Com isto, vamos cortejando o inimigo e
matando aos poucos a fé que herdamos dos Apóstolos.
Este
site (www.padrepauloricardo.org)
gostaria de ajudar o paciente a se dar conta de sua doença. Mas não
apenas isto. Gostaria também de indicar um caminho de possível terapia.
As palestras aqui apresentadas parecerão, para alguns, excessivamente críticas.
Estes prefeririam um prudente silêncio. Mas estou convencido de que o silêncio
não irá nos ajudar.
O
silêncio, aliás, é uma das causas de nossa atual crise.
O
conhecido filósofo alemão Eugen Rosenstock-Huessy costumava dizer que
uma crise é uma doença da linguagem humana. Esta doença seria o exato
antípoda da guerra. Enquanto a guerra se caracteriza por não querer
ouvir o inimigo, a crise seria o não querer falar ao amigo.
A
atual geração de jovens da Igreja católica dirige-se à geração que a
precedeu em busca de uma orientação, de uma palavra amiga. Em crise, o
jovem necessita de um amigo que lhe diga o que fazer. Mas o que é que
muitos lhe oferecem? Ou um silêncio covarde, ou a falta de fé.
A
Providência divina nos presenteou com a eleição do Papa Bento XVI. É
verdadeiramente o homem da Providência. Aproximemo-nos do seu pensamento.
Trata-se de um amigo corajoso e de um pai cheio de fé. Que suas palavras
façam ressoar a Palavra que é caminho, não somente para sair da crise,
mas para a Verdade e a Vida.
Padre
Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
www.padrepauloricardo.org