Dia 7 de Setembro, feriado
nacional em que se comemora a Independência do Brasil, é dia de
acordar cedo e ir assistir o desfile cívico da nossa cidade. As crianças
balançam bandeirinhas, os adultos se emocionam com a passagem dos
milicos aposentados, os bombeiros são aplaudidos, as fanfarras e bandas
entoam marchas militares dando o tom da festa e despertando na população
aquele sentimento saudosista patriótico, que apesar dos pesares, sempre
vem à tona nessas datas. Ou mais gritante ainda em época de copa do
mundo de futebol e jogos olímpicos.
Porém um outro programa
atrai também muita gente para ruas nesse mesmo dia, é o Grito dos
Excluídos. Movimento que teve início no ano de 1994 aqui no Brasil
liderado por alguns católicos, realizando sua primeira passeata em
Setembro do ano seguinte com o lema “Vida em primeiro lugar”.
Segundo a página na internet da organização desse movimento, a idéia
inicial era aprofundar o tema da campanha da fraternidade de 1995
“Eras Tu Senhor” com uma marcha nas ruas, e passar alguns outros
recadinhos. Entre eles, denunciar os abusos do modelo político e econômico
brasileiro. De lá pra cá a marcha cresceu, se espalhou por muitas
cidades brasileiras e outras organizações sociais foram se agrupando
unindo suas vozes para soltar o brado em comum.
Membros do clero,
misturaram-se ao povo e militantes das entidades participantes
caminhando, cantando e seguindo a canção. O problema é que essa
música não demorou pra desafinar. Como ter unidade de ação com
grupos que defendem idéias tão contrárias a fé católica? Em um vídeo
na internet, é possível ver pessoas carregando a bandeira do movimento
que defende o orgulho gay, em um desses eventos.Uma investida política
disfarçada de reivindicações por liberdade sexual.
O MST, claro, tem lugar de
destaque no Grito dos Excluídos, organização que não está
interessada só em conquistas de terras, mas de toda terra (inclusive as
que estão debaixo das unhas alheias). “Tu não desejarás para ti a
casa de teu próximo, nem seu campo, nem seu escravo, nem sua escrava,
nem seu boi, nem seu jumento, qualquer coisa que pertença a teu próximo”
(Dt. 5, 21).Nenhum líder desse movimento esconde o desejo de promover
uma revolução para implantar o Socialismo custe o que custar, é o que
diz a cartilha do MST “apenas ocupar a terra só pra trabalhar, já é
uma posição superada”. Já que receberam milhões de hectares, já
decidiram por as manguinhas de fora e mostrar realmente a que vieram.
E o pior é que são essas
mesmas bandeiras vermelhas, que fazem número nas passeatas pró-aborto,
pró-pesquisa com células-tronco embrionárias, ou a outras aberrações
morais. E esse ano a Campanha da Fraternidade, também teve o tema de
defesa da vida. Para que lado vão gritar?
E como falei das Olimpíadas,
lembro que esse ano, os jogos acontecerão em um país que sofre as
conseqüências de um regime comunista, e agora tenta esconder com
banners e sorrisos, as amarguras que a população enfrenta no seu
dia-a-dia, já que as câmeras de televisão estão voltadas pra lá.
Muitas matérias de telejornais mostram as lojas chinesas que vendem
produtos falsificados, e são fundamentais na economia pois além do
mercado interno, são exportados para muitos países.O Brasil seguiu o
exemplo, e também aprendeu a exportar porcaria, o Grito dos Excluídos
já chegaram a quase todos os países da América Latina, além dos
Estados Unidos.
Nunca vejo as propostas da
doutrina social da Igreja sendo defendida em meio a essas movimentações.Símbolos
religiosos ou referências à espiritualidade católica nesse grito,
ficam quase que escondidos.A Teologia da Libertação e suas distorções
evangélicas ainda têm muito espaço na Igreja do Brasil. Mesmo o
ex-frei, ex-Leonardo, Genésio Boff, ainda influencia o meio acadêmico
filosófico/teológico. Ele que deixou bem claro que a Teologia da
Libertação não veio trazer a fé no marxismo, mas o marxismo na fé.Alías,
o irmão de Genésio, Clodovis Boff também teólogo dessa estirpe, tem
um pensamento interessante sobre o sonho (para ele) do cristianismo
perfeito “a oração, a missa e os sacramentos não são a parte
mais importante... Um Cristianismo que não confere um sentido objetivo
e sobrenatural à luta popular, mas é a luta popular que dá sentido à
fé?" (cf. Clodovis Boff, Do político, pp. 102-107). Será que o
tal Grito do Excluídos, realmente dá sentido à fé? Ou apenas é o
sonho boffiniano ganhando espaço? Quem realmente grita pela exclusão
de quem? Os marxistas excluem Deus do mundo e Antônio Gramsci pode
comemorar o sucesso parcial de sua empreitada, pois defendia destruir a
Igreja Católica por dentro, roendo seus alicerces espirituais, já que
os ataques externos são mais difíceis de alcançar êxito.
Eu que na minha infância
nos anos 80, nem entendia direito o que havia de errado no discurso
cheio de ódio do padre na paróquia que freqüentava, apenas sentia
aquele forte cheiro de Boff. Quando o Grito do Excluídos foi criado, eu
já estava rouco o suficiente, para não querer participar desse
movimento. Hoje dou graças a Deus por conseguir me livrar dessas influências
totalmente, e amar a verdadeira Igreja de Cristo, seu Vigário na Terra
e viver as belezas que os sacramentos contém.Faço um apelo para todos
os desavisados, que bem intencionados pretendem participar do Grito dos
Excluídos, para divulgar suas pastorais, seus trabalhos paroquiais,
entidades e comunidades sérias e comprometidas com o evangelho de Nosso
Senhor, que quando for necessário ir as ruas para defender a vida pra
valer, que também o façam.Pois apesar da “doença
da Igreja do Brasil” como denomina Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
(www.padrepauloricardo.org),
ainda temos muitos “glóbulos brancos” dispostos a enfrentar a
“doença” com a ajuda e a graça de Deus. Ainda que pareça uma luta
difícil, a garantia de sucesso e proteção para a Igreja de Pedro, vêm
de gente de peso: “As portas do inferno, não prevalecerão contra
ela” (Mat. 16,18).