Recebo uma revista católica, que leio
religiosamente. Destina-se aos Jovens. É escrita por uma equipe de
pessoas de bom nível intelectual e didático. Mas lá no fundo, a linha
de pensamento me deixa preocupado. Entre outras coisas, mensalmente sai um
artigo que louva certas revoluções, de viés claramente esquerdizantes.
É um estímulo aos jovens, para canalizar suas energias, de modo bem
suave, para o socialismo. A mesma impressão me causa o Stedile, com seus
sequazes nem sempre de origem rural. Novas terras para cultivar, é o que
menos interessa. O que se busca é uma nova ordem social, evidentemente
socialista. (Ou seria anarquista?) Em todas as latitudes, em qualquer
ramo, sempre que se apresenta um corifeu do socialismo, ele se
auto-reveste das características simpáticas de moderno, avançado,
restaurador da justiça, criador da abundância para todos, enfim, da
prosperidade agora ao alcance da mão.
Felizmente, já temos no mundo uma vasta
experiência socialista, de duzentos anos, que se instalou em vários países,
e deixou rastos de sangue e de atraso. Assim conhecemos sua face. Vejamos
as características de tal linha econômico-política. Ela é
invencivelmente de alma atéia. E como não consegue convencer a população,
via raciocínio, então lança mão do cerceamento da liberdade.
Esvazia tudo o que é de ordem particular, para destinar todos os bens
para a administração da sociedade. Como, no seu entender, a livre
iniciativa só visa o lucro pessoal e o egoísmo, então o Estado é que
deve planejar a produção e a distribuição dos bens. Cabe-lhe ditar
regras para a imprensa, selecionar a linha ideológica da escola, e impor
a revolução violenta, para implantar o regime dos miseráveis. Para o
triunfo do socialismo, a via democrática se mostrou um caminho inviável.
Só a coação, para eles, é que resolve. É claro que existem vários
tipos de socialismo, mas suas semelhanças são enormes. Com essa descrição
também não posso aprovar o capitalismo grosseiro. Mas este admite
reformulações, deixa espaço para os partidos de tônica social, e
aceita (às vezes constrangido), em aperfeiçoar-se pela Doutrina Social
da Igreja. Gente, vamos encurtar caminhos: a via socialista,
definitivamente, não é solução. Quem é socialista propõe uma via,
comprovadamente retrógrada.
Autor: Dom Aloisio Roque Oppermann
Fonte: www.cnbb.org.br