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Resposta
Primeiramente, agradeço a pergunta e a confiança depositada em
nós, humildes servos de Jesus e da Igreja.
Precisar com certeza sobre os “motivos que levaram a Igreja a
aceitar o recebimento da Eucaristia nas mãos”, é algo um pouco
complicado, pois a situação histórica em que se encontrava a fé católica
no período pós conciliar, não era idêntica em todos os países. No
entanto, podemos fazer algumas observações e reflexões para tentar
entender um pouco do assunto.
Após o Concílio Vaticano
II, mais especificamente, após a aprovação do Novus Ordo (A Missa
Nova), houve muitas confusões a respeito da liturgia, enquanto uns eram
contra o Rito Novo, alegando que a Missa Nova era inválida, provocando
diversos cismas, outros caiam no outro extremo, no erro e na heresia de
achar que agora a Missa não era sacrifício, que agora se “tornou um
show” (como vemos ainda hoje em muitas paróquias e rincões no Brasil
afora).
Dentre esses erros, confusões, e equívocos que sucederam o Concílio
Vaticano II, a catequese tornou-se falha, e essa falha permanece até
hoje, haja em vista o número de “católicos” que possuem opiniões
divergentes do Ensino Oficial da Santa Igreja de Cristo.
Por conseqüência da catequese falha, em diversos lugares, muitos
desaprenderam o “modo correto de comungar”(De joelhos, com a cabeça
levemente inclinada, e com a língua para fora, de modo que o Ministro
coloque a partícula consagrada na ponta da língua, sem tocar na boca
ou na língua da pessoa), e passaram a comungar de maneira incorreta,
por vezes tocando na mão do ministro e molhando-lhes as mãos com sua
saliva. Isto gerou problemas higiênicos.
Em outros lugares, surgiu-se a interpretação errônea e modernista
(beirando a heresia), de que receber a Eucaristia na mão é mais digno
do que receber diretamente na boca.
Como dito anteriormente, é difícil precisar o motivo que levou cada
país, ou cada diocese, as vezes, em dioceses vizinhas, os motivos podem
ser totalmente diferentes.
Algumas Conferências Episcopais, e alguns bispos, solicitaram da
Santa Sé a permissão para distribuir a Eucaristia entregando-a nas mãos
das pessoas, até que, em 1969, a Sagrada Congregação para o Culto
Divino, publicou a Memoriale Domini,
ressaltando que a forma digna e tradicional de recebê-la, é
recebendo-a diretamente na boca. No mesmo documento, foi colocada uma
pesquisa feita pela Santa Sé, interrogando os bispos da Igreja.
As perguntas, e o resultado das pesquisas foram os seguintes:
1. Você acha que se deve dar atenção ao desejo de que, além da
maneira tradicional, deve ser admitido o ritual de recebimento da Santa
Comunhão nas mãos?
Sim: 597
Não: 1.233
Sim, mas com reservas: 315
Votos inválidos: 20
2. É de seu desejo que esse novo ritual seja primeiramente
experimentado em pequenas comunidades, com o consentimento dos bispos?
Sim: 751
Não: 1.215
Votos inválidos: 70
3. Você acha que os fiéis receberão bem esse novo ritual, após
uma adequada preparação catequética?
Sim: 835
Não: 1.185
Votos inválidos: 128
O documento então continua: “A partir dessas respostas, fica
claro que a vasta maioria dos Bispos crê que a disciplina atual não
deve ser modificada, e caso viesse, que a mudança seria ofensiva
aos sentimentos e à cultura espiritual desses Bispos e de muitos dos fiéis.”
Porém, o mesmo documento, dizia mais adiante que,
nos lugares onde a prática (até então ilegítima) prevalecesse,
caberia às Conferências Episcopais examinar com cuidado e cautela a
situação, e, através de voto secreto, decidir se a prática deve ser
adotada ou não, sempre, para isso, necessitando da aprovação da Santa
Sé para a regularização da situação.
Para o Brasil, após análise da proposta
encaminhada pela CNBB, a aprovação da comunhão nas mãos se deu através
de uma Concessão, datada de 05/03/1975, onde a Santa Sé deixou para
que cada bispo decidisse sobre a nova prática em sua diocese, ou seja,
onde o bispo permitisse, poderiam os fiéis optarem em receber a Sagrada
Eucaristia nas mãos, ao invés da prática tradicional, onde o bispo não
permitisse, a única prática válida seria a forma tradicional, de
receber a Eucaristia diretamente na boca.
Antes de entrarmos na segunda questão proposta,
precisamos de algumas observações:
Ambos os documentos, assim como todos os demais
Documentos da Igreja, deixam claro que, a comunhão na mão, é
opcional, é “exceção”, aceita em algumas dioceses, por
motivos pastorais, depois de prudentemente analisadas pela Conferência
Episcopal, e autorizadas pela Santa Sé. Nunca é a regra.
A forma mais digna, respeitosa, tradicional e louvável
de receber a Sagrada Eucaristia continua a ser de de joelhos e
diretamente na boca.
“Esse método de distribuição da Santa
Comunhão deve ser conservado, levando-se em consideração a situação
atual da Igreja em todo o mundo, não apenas porque possui por trás de
si muitos séculos de tradição, mas especialmente porque expressa a
reverência do fiel pela Eucaristia.” (Memoriale
Domini)
“Além do mais, a prática que deve ser
considerada a tradicional assegura, mais efetivamente, que a Santa
Comunhão seja distribuída com o devido respeito, decoro e dignidade.
Remove o perigo de profanação das sagradas espécies, nas quais
"de modo único, Cristo, Deus e homem, está presente, inteiro e íntegro,
substancialmente e continuamente". Finalmente, ela assegura aquele
diligente cuidado com os fragmentos do pão consagrado que a Igreja
sempre recomendou: "O que permitistes cair, pensa nele como se
tivesses perdido um de teus membros".(Memoriale
Domini)
Vale lembrar que, a comunhão na mão, precisa de
autorização do bispo, enquanto que a norma universal é, recebê-la
diretamente na boca e de joelhos. Assim, é sempre bom frisar que, o
incentivo à comunhão nas mãos, é um erro modernista, haja em vista
que trata-se APENAS de uma permissão, a regra sempre foi, e
continua sendo, a comunhão diretamente na boca do fiel, estando esse
ajoelhado, já que, este gesto “expressa a reverência do fiel pela
Eucaristia” (Memoriale Domini)
Do Catecismo de São Pio X:
640)
Como devemos apresentar-nos no ato de receber a sagrada Comunhão?
No ato de receber a sagrada Comunhão devemos
estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos
modestos e voltados para a sagrada Hóstia, com a boca suficientemente
aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior.
Senhoras e meninas devem estar com a cabeça coberta. (1)
Após essas observações, podemos então passar para a segunda parte
de tuas perguntas:
Se
é o próprio Deus que se faz presente na Eucaristia, que sentido faz
recebê-lo em pé? É possível reverenciá-lo, recebendo-o em pé?
De
fato, diante do Senhor, todo joelho se dobra, no céu, na terra e nos
infernos (Cf Fl 2,10).
E
é com essa profunda adoração e respeito, que a Igreja, Mãe e Mestra
da Verdade, continua a ensinar que a maneira mais digna de receber a
Sagrada Eucaristia é, estando de joelhos recebê-la diretamente na
boca, já que trata-se de um Dogma de Fé a presença substancial do próprio
Deus, na aparências do pão e do vinho consagrados.
Porém,
a mesma Igreja, Sacramento Universal da Salvação, declara que é lícito,
nas diocese onde o bispo concedeu a autorização, recebê-la também em
pé, e nas mãos, sem que ninguém o proiba desse direito.
Enumero,
abaixo, alguns motivos que podem levar uma pessoa consciente do valor
Eucarístico e da dignidade da prática tradicional, a receber a comunhão
nas mãos, ao invés de demonstrar mais sensivelmente sua adoração ao
próprio Jesus Sacramentado dobrando seus joelhos:
- A higiene, já que,
infelizmente, muitos ministros extraordinários (e as vezes até
alguns ordinários) não sabem distribuir a comunhão corretamente,
e acabam “tocando” na boca do fiel. Assim, pois, é até
recomendável receber a comunhão nas mãos, quando se sabe ser um
ministro o qual isso possa acontecer.
- A má formação catequética
e litúrgica dos fiéis, já que muitos, ao invés de levantar a
cabeça, e colocar a língua para fora, ficam com a boca fechada, e
querem como que “morder” a Eucaristia, como um cachorro morde um
osso, o que as vezes pode também levar o ministro (ordinário ou
extraordinário) a tocar na boca do fiel, causando novamente,
problemas de higiene.
- Doenças, feridas ou
enfermidades na boca (aftas,e outras). Seria constrangedor e pouco
higiênico para o ministro, e mesmo para aqueles que estão atrás
da pessoa na fila.
- Falta de espaço,
principalmente em capelas pequenas; as vezes, o número e o
movimento de pessoas é tanto, que dificultam a atitude de
ajoelhar-se
Enfim,
há diversos motivos que podem justificar a atitude do fiel, de optar
por receber a comunhão em pé (nas dioceses onde o bispo autorizar),
porém, a grande maioria recebe a Eucaristia de pé porque,
infelizmente, não foram ensinados sobre a beleza tradicional presente
no ato de ajoelhar-se.
O
errado é receber diretamente nas mãos achando que essa permissão se
tornou regra ignorando a maneira mais tradicional e perfeita de
comungar, ou, pior ainda, achando que a comunhão de joelhos “é coisa
do passado” (o que além de ser equívoco, trata-se de heresia
modernista).
Devemos
ensinar sempre somente aquilo que ensina a Santa Igreja, deixando
sempre claro que, embora a maneira mais digna e recomendável de
comungar seja de joelhos e recebendo a Eucaristia diretamente na boca,
aqueles que, por algum motivo justo, e sem perderem a adoração
profunda e o respeito devido, optarem por receber a Eucaristia nas mãos
e em pé, não estão cometendo nenhum tipo de pecado.
Em
resumo, diante da tua pergunta, mesmo sabendo que a “Comunhão
na mão enfraquece a devoção” e que o Santo
Padre está distribuindo somente a comunhão de joelhos aos fiéis, por demonstrar mais respeito à Sagrada Eucaritia, é possível sim,
reverenciar a Jesus Sacramentado, mesmo recebendo-o de pé; um fiel
consciente, pode optar por receber a comunhão dessa maneira nas situações
em que julgar oportunas e adequadas. Se não fosse possível,
a Igreja não teria dado essa permissão.
Convém
lembrar que, como dito no parágrafo acima, a NINGUÉM compete julgar os
que querem receber a comunhão em pé, é o fiel quem deve decidir se
vai comungar de joelhos ou de pé, na boca ou na mão. E o ministro deve
dar-lhe a comunhão, independente da posição do seu corpo.
“Assim pois, não é lícito negar a
sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer
receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé.”(Redemptionis
Sacramentum)
Quanto a terceira pergunta:
Há possibilidade de se proibir a comunhão nas
mãos?
Conforme analisado, e exposto acima, a comunhão
nas mãos é uma permissão, a regra sempre foi, e continua sendo,
comungar de joelhos, recebendo a Eucaristia diretamente na boca.
Conforme consta na Concessão
dada ao Brasil, datada de 05/03/1975, fica a critério do
bispo diocesano a permissão ou a proibição.
Assim, se o bispo não autorizar, todos devem,
obrigatoriamente, receber a comunhão na boca.
Se o bispo autorizar, os fiéis podem optar em
receber a comunhão em pé e nas mãos, sendo que, mesmo nesses casos “os
fiéis jamais serão obrigados a adotar a prática da comunhão na mão,
ao contrário, ficarão plenamente livres para comungar de um ou de
outro modo. o”(nº 7).
Espero ter ajudado a esclarecer tuas dúvidas
Seu irmão em Cristo,
Everton do N. Siqueira - everton2040@paroquiapiedade.com.br
(1) - Hoje não mais
é obrigatório o uso do véu para as senhoras e meninas, tornou-se
opcional, embora seja extremamente recomendável o seu uso.
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