|
Resposta
Agradeço o contato feito,
e se bem sei, a tua dúvida surgiu em virtude da leitura do
meu último texto (É
permitido a um católico participar de um evento protestante?) Antes
de responder e abordar a tua pergunta, peço desculpas pelo fato do meu
texto ter causado incômodo ou confusão. Utilizarei deste espaço não
apenas para pedir desculpas pelos eventuais transtornos causados, mas
também para tentar esclarecer tua dúvida. O
teu exemplo prático é algo um pouco diferente do que abordei no texto
acima citado. Sabemos que a "Igreja" deles não traz a
salvação, embora eles possam ser salvos pela Igreja Católica, porém
não temos o direito de "obrigá-los" a converter-se, pois a
liberdade é um Direito Humano. §1730
A LIBERDADE DO HOMEM Deus criou o homem dotado de razão e lhe
conferiu dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio
de seus atos. "Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão"
(Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e,
aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição. Se
nem Deus nos obriga a fazer algo contra nossa vontade, quem somos nós
para querer "obrigar alguém a converter-se"? Nesse meio
termo, entre o conformismo (Pensar que eles não precisam se
converter)
e a violação dos Direitos Humanos (Querer obrigar alguém a mudar
sua fé)
entra o diálogo de amor e caridade visando a Unidade dos Cristãos (O
Ecumenismo). A
oração em comum não é errada, conforme o trecho citado no artigo
acima, da Teologia Moral de Del Grecco: "Não
é proibido recitar, privadamente, com um herege, orações, contanto
que não contenham nada contra a fé e não haja escândalo." O
que diferencia o exemplo que você citou da abordagem feita no outro
texto é com
relação ao escândalo e ao objetivo da reunião/evento : O
texto citado anteriormente tem um aspecto diferente do teu, pois aborda
"eventos puramente protestantes", enquanto o teu aborda
uma "reunião amigável e respeitosa entre pessoas de diferentes
convicções cristãs buscando uma oração comum". O fato de participar do culto ou show
protestante pode ser um mau exemplo que pode levar muitos à heresia do
relativismo, e quem assim agiu torna-se réu do pecado de escândalo
que, neste caso (a heresia) é um pecado mortal. Já
em
relação ao teu caso: a oração em comum (in spiritualibus) é algo
que a Igreja recomenda, para que "Todos sejam um (Jo
17,21)" , e é nesse pensamento que existe, por exemplo, a Semana
da Oração Pela Unidade dos Cristãos, e todas as demais atividades
ecumênicas que a Igreja realiza, lembrando que na Carta
Ut Unum Sint,(Sobre o ecumenismo), o Santo Padre deixa claro
que essa Oração pela Unidade visa sempre a conversão.Conversão
dos irmãos separados, para que retornem à Igreja Católica, e também a conversão
dos católicos ao "Espírito Ecumênico": um
clima de respeito e amor para com os irmãos separados, sabendo
distingüir a heresia do herege. Atrai-se muito mais moscas com
mel do com vinagre. Em suma, como diz Santo Agostinho: "Morte
ao erro, amor do que erra". Lembrando
que, mesmo na comunnicatio in spiritualibus (oração em comum) o
mesmo princípio deve-se aplicar: ter cuidado para não cair no
relativismo de achar que "qualquer religião salva" e evitar
qualquer perigo de escândalo. Na
prática e para terminar, dou uma simples opinião pessoal à qual
você ou qualquer pessoa que ler pode discordar sem nenhum problema: "Se
surgir ofensas à fé durante essas reuniões, converse e peça para que
ele tenha para com a sua fé, o mesmo respeito que você tem para com a fé que ele
professsa. E reze para que essas orações em comum tragam frutos
tanto à tua pessoa quanto para a dele, e creia, assim como eu creio,
que mais cedo ou mais tarde(num tempo que só Deus conhece) ele retornará
à Casa do Pai (A Igreja Católica) como o filho arrependido descrito na
Parábola do Filho Pródigo." Na
esperança de ter esclarecido tua dúvida, e pedindo novamente desculpas
pelos eventuais transtornos que causei, despeço-me. Everton
do N. Siqueira - everton2040@paroquiapiedade.com.br
Clique
para voltar |