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Dúvida

Qual a posição da Igreja quanto a doação de órgãos? É favorável ou não.

Resposta

Obrigado pelo contato, e pela confiança depositada em nós.

A Igreja é a favor da doação e do transplante de órgãos.

Já em 1956, o Papa Pio XII dizia:  “É preciso educar o povo e explicar-lhe inteligente e respeitosamente que consentir expressa ou tacitamente danos reais para a integridade do cadáver, em prol daqueles que sofrem, não ofende a piedade devida ao defunto, uma vez que haja tais razões legítimas”.

O Papa João Paulo II, no Discurso aos participantes do XVIII Congresso Internacional sobre Transplantes, no ano de 2000 nos dá as seguintes palavras sobre o assunto "Os transplantes são uma grande conquista da ciência ao serviço do homem e nos nossos dias não são poucos aqueles que devem a própria vida ao transplante de um órgão. Portanto, a técnica dos transplantes revela-se cada vez mais como um instrumento precioso na consecução da finalidade primária de toda a medicina:  o serviço à vida humana. Por esta razão, na Carta Encíclica Evangelium vitae recordei que, entre os gestos que concorrem para alimentar uma autêntica cultura da vida, "merece particular apreço a doação de órgãos feita, segundo formas eticamente aceitáveis, para oferecer uma possibilidade de saúde e até de vida a doentes, por vezes já sem esperança."

Na Encíclica Evangelium Vitae, a Igreja se refere à doação de órgãos como um gesto heróico: "É neste contexto, rico de humanidade e amor, que nascem também os gestos heróicos. Estes são a celebração mais solene do Evangelho da vida, porque o proclamam com o dom total de si; são a manifestação refulgente do mais elevado grau de amor, que é dar a vida pela pessoa amada (cf. Jo 15, 13); são a participação no mistério da Cruz, na qual Jesus revela quão grande valor tem para Ele a vida de cada homem e como esta se realiza em plenitude no dom sincero de si. Além dos factos clamorosos, existe o heroísmo do quotidiano, feito de pequenos ou grandes gestos de partilha que alimentam uma autêntica cultura da vida. Entre estes gestos, merece particular apreço a doação de órgãos feita, segundo formas eticamente aceitáveis, para oferecer uma possibilidade de saúde e até de vida a doentes, por vezes já sem esperança.(Evangelium Vitae, nº 86)"

Recentemente, publicamos aqui no site da paróquia o discurso do Santo Padre, o Papa Bento XVI, sobre o assunto, onde, dentre outras coisas, ele nos dirige as seguintes palavras: "o ato de amor, que se expressa com o dom dos próprios órgãos vitais, é um testemunho genuíno de caridade que sabe ver muito além da morte, para que a vida sempre vença".

No mesmo discurso, o Santo Padre faz um alerta sobre a ética nas doações e nos transplantes : "Se os transplantes são um ato de amor, então não podem converter-se em objeto de mercado.[...]O corpo nunca poderá ser considerado como um mero objeto: do contrário se imporá a lógica do mercado".

A íntegra deste discurso pode ser lida aqui.

O Catecismo da Igreja Católica assim nos diz:

2296 O transplante de órgãos é conforme à lei moral se os riscos e os danos físicos e psíquicos a que se expõe o doador são proporcionais ao bem que se busca para o destinatário. A doação de órgãos após a morte é um ato nobre e meritório e merece ser encorajado como manifestação de generosa solidariedade. O transplante de órgãos não é moralmente aceitável se o doador ou seus representante legais não tiverem dado seu expresso consentimento para tal. Além disso, é moralmente inadmissível provocar diretamente mutilação que venha a tornar alguém inválido ou provocar diretamente a morte, mesmo que seja para retardar a morte de outras pessoas.

§ 2301 [...] A doação gratuita de órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória."

Em resumo podemos dizer que:

  • A doação de órgãos é um ato heróico, um testemunho genuíno de caridade e prova de amor ao irmão.(Jo 15,13) (Evangelium Vitae, nº 86).

  • Os riscos e danos que o doador se expõe devem ser proporcionais ao bem que se busca àquele que recebe.

  • Deve ter sempre autorização do doador ou de seus responsáveis legais, em outros casos é moralmente ilícito.

  • O comércio de órgãos é moralmente ilícito, pois trata o corpo humano como se fosse um mero objeto.

Espero ter ajudado a esclarecer um pouco a tua dúvida.

Seu irmão em Cristo,

Everton do N. Siqueira - everton2040@paroquiapiedade.com.br

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